Tanatologia-Banquete no funeral-Parte I

Por Dr.Mauro Montaury

O processo tanatológico das diferentes sociedades culturais civilizatórias perpetuam-se ao longo de toda a História da Humanidade.

Variações ocorrem na dependência da educação do povo e no grau do estado civilizatório em que se encontram.

Não devemos deixar de aqui prestar uma menção, que o grau afetivo emocional interfere na transição, período entre a morte e o além.

Os povos que apresentam cultura reencarnatória são representados por mais de 90% da Humanidade e variam esta crença na dependência  da diferente compreensão sociocultural deles este processo.

Podemos aqui lembrar comportamentos antropológicos distintos:

  • Indígenas idosos se recolhiam sozinhos nas matas antes da passagem.
  • Nas grandes travessias, em mudança de habitat tribal, na busca de alimentos, tribos deixam os idosos para o final da caravana e quando estes não conseguem cruzar grandes rios, eles aguardam  sozinhos esperando no local a sua morte.
  • Nas áreas frias, quando muito idosos e as grandes gelascas ocorrem, os idosos se expõem voluntariamente ao frio. Ocorre uma transição rápida igual aos grandes montanhistas expostos nas elevadas altitudes quando são surpreendidos pelos ventos gelados. Os alpinistas são surpreendidos pelo súbito aparecimento de neve, não dando tempo de se abrigar e de se salvar.

Achados arqueológicos mostram buracos funerais que pela disposição e artefatos analisados no local mostram que os anciãos se encontravam vivos e procuraram estes locais para sair da vida.

Locais altos e de difícil acesso onde idosos iam para se jogando partir para o além.

Temos povos que pela sua historia sócio-antropológica festejam a Vida, a chegada e a partida dela, baseado no Princípio da Criação. Nascer e morrer fazem parte de um processo maior e somos apenas uma nuvem na grande constelação.ANTROPOLOGIA SOCIAL.

Os povos baseados nas colheitas e no cultivo da terra entendem a materialidade humana e o significado maior da vida neste contexto.

A importância dos rituais de passagem está enraizada na Alma de cada povo específico. As festas da partida era assunto social,comentada  e esperado pelas pessoas dos povoados.

Na localidade fazia-se comida para receber os parentes distantes e se reunia todos os familiares ligados a aquela linhagem progenitora, genética e ancestral.

Se comemorava a vida em toda a sua plenitude sociológica.RITO DE PASSAGEM.

Hoje pelo correr da vida apressada da cidade transferimos o ritual de passagem às clínicas de repouso e aos hospitais e perdemos toda a nossa tradição cultural, perdemos nossa IDENTIDADE.

Ao se perder a identidade cultural esqueceu ou deturpamos o que é normal.

O que é normal é o encontro dos amigos e parentes de fora que no funeral se encontram ,são acolhidos pelos amigos,oram ,rezam,contam coisas engraçadas do defunto, choram, e a vigília do corpo é revezada por todos que se solidarizam pelo amigo (a), familiar ou conhecido que partiu e todos foram acolher e solidarizar.

Geralmente nestes povoados não existem antibióticos de última geração e não existem superbactérias e nem septicemia e o corpo não entra facilmente em decomposição.

Normalmente quando existe um banquete ele ocorre no dia e nunca depois dali é realizado ou comemorizado.

O banquete e a comemoração é pelos atributos do defunto e suas virtudes, fatos importantes, acontecimentos engraçados e memórias são lembradas.BANQUETE DA PALAVRA

PRECISAMOS PRESERVAR O RITO DE TRANSIÇÃO.

NOSSA CULTURA SOCIOLÓGICA E ANTROPOLÓGICA  DEVE SER PERPETUADA.

Por Mauro Montaury Data:Fev 2, 2013 Comments : 0