Tanatologia- Mêdo e Glória do Guerreiro-Parte II

Por Dr.Mauro Montaury

Ao estudar os povos e as civilizações centradas no Homem descobrimos que a influência do capital nestes povos afasta as tradições antropológicas sociais e o processo de cultura e das vivências deles perpetuadas ao longo de sua história.

Ser o guerreiro abrange um significado de luta durante toda uma vida.

Ser guerreiro significa ter tido coragem de saber completamente e na totalidade quem você é e realizou apesar de todas as intempéries da sua vida.

Ser guerreiro não importa se é alegre ou triste, jovem ou velho, neurótico ou equilibrado, se fez bons ou maus negócios, se foi roubado pelos seus mais próximos parentes, amigos ou filhos, se realizou e construiu empresas, fábricas ou hospitais. Não podemos esquecer a sua inerente bondade baseada na justiça, na verdade e na união das pessoas.

Povos antigos tentaram apagar a memória do guerreiro. Observamos na civilização egípcia desaparecerem dos murais de pedra nome do faraó Tutmés, em diversos templos. Deixam seu corpo ser comido pelos chacais do deserto, são enterrados em covas rasas ou gavetões, escrevem seus nomes errados para serem esquecidos pela história, mas não conseguem apagar seus feitos e suas realizações.TANATOLOGIA.

Não permitem um ritual de morte e nem a dignidade do morrer. Impedem o ritual tanatológico de absolvição e de despedida do morto entre companheiros de jornada, amigos e familiares.ESTUDO SOBRE A MORTE E O MORRER.

Podem se apossar de seus bens, contarem estórias mentirosas e todos sabem o que é certo, só a mentira precisa de testemunhas e de ser reinventada. A mentira precisa ser contada diversas vezes para confundir e enganar. Mudam os dados mas a fraude é a mesma, a causa da falsidade também, assim como todo povo sabe que foi enganado.

Todos tem medo da energia do guerreiro mesmo morto e se decompondo a sua energia está no ar, na terra, no ambiente e no espírito dos homens que o conheceram e o respeitaram.

Seu coração e suas frases serão lembradas por todos e não adiantam modificar e recontar a mentira dos usurpadores do poder e das posses, passado o tempo a verdade se faz presente.

Temos guerreiros que influenciaram na PAIDÉIA de uma geração desenvolvendo as potencialidades: no saber, no cidadão, nos hábitos e na justiça, como fundamento. Ensinaram liberdade e nobreza. Desenvolveram o melhor da Alma Humana em diferentes do conhecimento.

Ser guerreiro não precisa empunhar armas, às vezes, seus instrumentos são: um bisturi, uma caneta, uma palavra, um formão, uma pá de pedreiro ou simplesmente sua presença física ou espiritual transforma tudo e a todos.

Muitas vezes são exemplo para povos, estão na consciência coletiva, são sacrificados, dependurados ou crucificados quando não esquartejados e enterrados em diferentes locais ou deixados para se decompor. Não precisamos dizer seus nomes, todos sabem quem são eles.  A história da civilização está cheia de exemplos.

Vamos citar alguns para que o tempo e a memória dos homens sejam avivados:

-Alexandre Magno, pequeno em estatura, mas sempre representado como maior que sua estatura, integrou Ocidente com Oriente, chegou até o Egito e tornou-se Faraó, e gerou o desenvolvimento do Helenismo e da miscigenação de povos.

-Sócrates o vagabundo andarilho que ensinou homens a pensar e a se conhecer e não deixou nada escrito, o que dele se sabe é pelo seu discípulo Platão e seus seguidores.

-Cristo, morreu faz milênios, contam e recontam suas histórias, suas parábolas e os Evangelhos de seus Apóstolos.

-Tiradentes, gravado na memória da Inconfidência Mineira e espalhado seu corpo e sua história.

-Gandhi, um simples ato de paz( não violência) e o estímulo ao povo de fazer suas próprias vestes e não comprar os tecidos ingleses gerou a revolução e a libertação do Império Inglês.

Todo guerreiro, quando seu nome era falado fazia multidões cingirem os rins ou dobrarem seus joelhos devido a sua fortaleza, pureza de constituição e de caráter.

A todos eles que pela sua fortaleza,dignidade e exemplo realizaram o crescimento físico, emocional e espiritual de um grupo ou influenciaram toda a Humanidade, meu respeito e admiração.

Por Mauro Montaury Data:Jul 19, 2014 Comments : 0
 
 

Tanatologia-Banquete no funeral-Parte I

Por Dr.Mauro Montaury

O processo tanatológico das diferentes sociedades culturais civilizatórias perpetuam-se ao longo de toda a História da Humanidade.

Variações ocorrem na dependência da educação do povo e no grau do estado civilizatório em que se encontram.

Não devemos deixar de aqui prestar uma menção, que o grau afetivo emocional interfere na transição, período entre a morte e o além.

Os povos que apresentam cultura reencarnatória são representados por mais de 90% da Humanidade e variam esta crença na dependência  da diferente compreensão sociocultural deles este processo.

Podemos aqui lembrar comportamentos antropológicos distintos:

  • Indígenas idosos se recolhiam sozinhos nas matas antes da passagem.
  • Nas grandes travessias, em mudança de habitat tribal, na busca de alimentos, tribos deixam os idosos para o final da caravana e quando estes não conseguem cruzar grandes rios, eles aguardam  sozinhos esperando no local a sua morte.
  • Nas áreas frias, quando muito idosos e as grandes gelascas ocorrem, os idosos se expõem voluntariamente ao frio. Ocorre uma transição rápida igual aos grandes montanhistas expostos nas elevadas altitudes quando são surpreendidos pelos ventos gelados. Os alpinistas são surpreendidos pelo súbito aparecimento de neve, não dando tempo de se abrigar e de se salvar.

Achados arqueológicos mostram buracos funerais que pela disposição e artefatos analisados no local mostram que os anciãos se encontravam vivos e procuraram estes locais para sair da vida.

Locais altos e de difícil acesso onde idosos iam para se jogando partir para o além.

Temos povos que pela sua historia sócio-antropológica festejam a Vida, a chegada e a partida dela, baseado no Princípio da Criação. Nascer e morrer fazem parte de um processo maior e somos apenas uma nuvem na grande constelação.ANTROPOLOGIA SOCIAL.

Os povos baseados nas colheitas e no cultivo da terra entendem a materialidade humana e o significado maior da vida neste contexto.

A importância dos rituais de passagem está enraizada na Alma de cada povo específico. As festas da partida era assunto social,comentada  e esperado pelas pessoas dos povoados.

Na localidade fazia-se comida para receber os parentes distantes e se reunia todos os familiares ligados a aquela linhagem progenitora, genética e ancestral.

Se comemorava a vida em toda a sua plenitude sociológica.RITO DE PASSAGEM.

Hoje pelo correr da vida apressada da cidade transferimos o ritual de passagem às clínicas de repouso e aos hospitais e perdemos toda a nossa tradição cultural, perdemos nossa IDENTIDADE.

Ao se perder a identidade cultural esqueceu ou deturpamos o que é normal.

O que é normal é o encontro dos amigos e parentes de fora que no funeral se encontram ,são acolhidos pelos amigos,oram ,rezam,contam coisas engraçadas do defunto, choram, e a vigília do corpo é revezada por todos que se solidarizam pelo amigo (a), familiar ou conhecido que partiu e todos foram acolher e solidarizar.

Geralmente nestes povoados não existem antibióticos de última geração e não existem superbactérias e nem septicemia e o corpo não entra facilmente em decomposição.

Normalmente quando existe um banquete ele ocorre no dia e nunca depois dali é realizado ou comemorizado.

O banquete e a comemoração é pelos atributos do defunto e suas virtudes, fatos importantes, acontecimentos engraçados e memórias são lembradas.BANQUETE DA PALAVRA

PRECISAMOS PRESERVAR O RITO DE TRANSIÇÃO.

NOSSA CULTURA SOCIOLÓGICA E ANTROPOLÓGICA  DEVE SER PERPETUADA.

Por Mauro Montaury Data:Fev 2, 2013 Comments : 0